UMA VIDA
DEDICADA À MÚSICA
Há percursos que se medem não em anos, mas em ressonâncias. A vida de José Manuel Nunes Teixeira é uma dessas trajetórias em que a música se torna linguagem, forma de estar no mundo e modo de relação com os outros.
Há percursos que se medem não em anos, mas em ressonâncias. A vida de José Manuel Nunes Teixeira é uma dessas trajetórias em que a música se torna linguagem, forma de estar no mundo e modo de relação com os outros.
Antes de ser guitarrista, violoncelista ou maestro, José Teixeira é pedagogo. A sua relação com a música construiu-se sempre sobre a convicção de que a música existe para ser compreendida, vivida e partilhada em conjunto.
Entre a guitarra da infância, o violoncelo da maturidade e a direção de orquestra, construiu um percurso onde ensinar, tocar e dirigir são expressões do mesmo gesto: servir a música através das pessoas. Ao longo dos anos, passou por bandas de rock, grupos de música antiga, coros e orquestras, reunindo uma experiência musical ampla e profundamente humana.
As Origens
Nasceu em Salamanca, em 1964. Mas é em Portugal, desde os dois anos de idade, que a sua identidade musical se forma. Autodidata, encontra na guitarra clássica o primeiro território de descoberta.
Nasceu em Salamanca, em 1964. Mas é em Portugal, desde os dois anos de idade, que a sua identidade musical se forma. Autodidata, encontra na guitarra clássica o primeiro território de descoberta.
Aos onze anos, as bandas tornam-se a sua primeira escola real de música — a escola da escuta, da convivência, do palco, da partilha.
Antes de qualquer academia, aprende aquilo que nenhum conservatório ensina primeiro: a música acontece entre pessoas.
Os Primeiros Anos
O ingresso no Conservatório Nacional de Lisboa representa a passagem da intuição para uma consciência artística mais profunda. Aqui, José Teixeira contacta com vários professores de reconhecido mérito, destacando-se o mestre violoncelista Luís Sá Pessoa, cuja influência marca profundamente a sua formação técnica e musical.
O ingresso no Conservatório Nacional de Lisboa representa a passagem da intuição para uma consciência artística mais profunda. Aqui, José Teixeira contacta com vários professores de reconhecido mérito, destacando-se o mestre violoncelista Luís Sá Pessoa, cuja influência marca profundamente a sua formação técnica e musical.
Neste período, a aprendizagem ultrapassa a aula individual. Participa em coros, orquestras e conjuntos de câmara, experiências fundamentais para a descoberta da música como fenómeno coletivo — feito de escuta, respiração conjunta e unidade sonora.
Paralelamente, aproxima-se da Música Antiga e do repertório renascentista, consolidando uma visão da música como espaço de comunhão, disciplina partilhada e construção coletiva do som.
Professor
Antes de ser maestro, José Teixeira é professor. E antes de ser professor é um apaixonado por esta incrível arte de combinar sons. Mas em qualquer um dos papéis, a mesma visão integradora entre prática instrumental, escuta ativa e construção coletiva.
Antes de ser maestro, José Teixeira é professor. E antes de ser professor é um apaixonado por esta incrível arte de combinar sons. Mas em qualquer um dos papéis, a mesma visão integradora entre prática instrumental, escuta ativa e construção coletiva.
A pedagogia musical Ward, estudada no Centro Ward de Lisboa Júlia de Almendra — por sugestão da amiga de longa data, Margarida Togtema — viria a moldar profundamente a sua visão artística e educativa: a música entendida como instrumento privilegiado de desenvolvimento humano, do sensível ao cognitivo, passando por muitos outros, como o motor ou o social.
Como professor, tem passado por vários níveis e contextos de ensino, do pré-escolar ao segundo ciclo do ensino básico, passando pelo ensino profissional, aqui incluindo o ensino especializado da música. Mas em todos eles com a mesma convicção estruturante: todos podem fazer música e todos crescem quando a fazem em conjunto.
Desde 1991, leciona no Colégio Moderno, em Lisboa, onde tem sido responsável pela implementação de diversos projetos pedagógicos e musicais.
Direção de Orquestra
A necessidade de compreender o fenómeno coletivo do som conduziu José Teixeira, de forma natural, à Direção de Orquestra. Depois de aprender a tocar, a ensinar e a escutar, surge o desejo de compreender como muitos se tornam um.
A necessidade de compreender o fenómeno coletivo do som conduziu José Teixeira, de forma natural, à Direção de Orquestra. Depois de aprender a tocar, a ensinar e a escutar, surge o desejo de compreender como muitos se tornam um.
Diploma-se em Direção de Orquestra com o maestro Navarro Lara, aprofundando uma abordagem contemporânea e humana da direção. Desta relação artística nasce também a coautoria de várias obras dedicadas à direção de orquestra.
Neste percurso, a batuta deixa de ser apenas um instrumento técnico. Torna-se extensão do pensamento, do gesto interior e da escuta sensível. Porque dirigir não é impor um caminho, mas criar as condições para que a música aconteça em plenitude.
O Maestro e a Comunidade
Hoje, José Teixeira permanece em plena atividade, erguendo o gesto e o silêncio à frente da VIVACE - Orquestra de Câmara e da JOST - Jovem Orquestra Sinfónica do Tejo.
Hoje, José Teixeira permanece em plena atividade, erguendo o gesto e o silêncio à frente da VIVACE - Orquestra de Câmara e da JOST - Jovem Orquestra Sinfónica do Tejo.
Como professor, continua a dedicar-se à instituição onde leciona há mais de três décadas, fiel ao compromisso de formar não apenas músicos, mas consciências sonoras. Mantém-se igualmente disponível para colaborações artísticas, aulas presenciais e remotas, e projetos musicais em Lisboa e além-fronteiras, onde a música encontra sempre lugar.
A sua vasta obra como arranjador e orquestrador — à qual se entrega com a mesma paixão que dedica ao seu filho — estará também disponível para todos os que desejem escutá-la, estudá-la e vivê-la.